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Não há alguns mais iguais que outros, por Lurdinha Henriques

  • Qui, 18 de Maio de 2017 18:47
  • O fato no comando e não narrativas protetoras.

    A cada dia surgem mais notícias, denúncias, suspeições, em grande parte confirmadas. Em pleno vapor a Lava Jato e é como se o mundo político estivesse fora do espaço terrestre, habitando zonas fora de órbita, sem contato com os humanos. Tudo segue em frente, continuando corrupção, propina, dinheiro em malas.

    Há que se refletir sobre isso. Os partidos como instituições passam a ser acusados por atos de seus dirigentes e representantes nos parlamentos e no Executivo. Vale lembrar às diferentes instituições que os atos são praticados por pessoas, mas a elas cabe, se não concordarem com seus feitos, tirar-lhes o poder. Ao não fazê-lo, ao não tomarem atitudes firmes, assumem como seus os atos praticados. Temos visto isto costumeiramente, principalmente quando se trata de partidos, que tendem a proteger os seus. Ao fazer isso, deveriam pagar juntos a conta. Mas o prejuízo à democracia é enorme, porque, sem partidos, como exercer o processo de representação? Além de haver segmentos da população que passam a classificar todos os políticos como iguais, colocando ainda mais em risco a própria democracia.

    Para proteger as instituições, é necessário transparência, respeito às leis, ou seja, respeito aos princípios e valores da democracia.

    Nestes dois dias, ficou claro, ou mais claro ainda, que a continuidade das investigações atinge partidos políticos, empresas e sabe-se mais lá o que, sem distinção. O fato no comando e não narrativas protetoras, como deve ser na democracia. O que torna inócuo o discurso persecutório, politicamente construído pelo PT, em defesa daqueles que se consideram acima de todos e, portanto, protegidos do braço da lei. Isto é construir uma sólida democracia. A lei é para todos igualmente. Não há alguns mais iguais.

     

    Encerro acrescentando afirmação de hoje de Fernando Henrique Cardoso:

    "O país tem pressa. Não para salvar alguém ou estancar investigações.

    Pressa para ver, na prática, medidas econômico-sociais que deem segurança, emprego e tranquilidade aos brasileiros. E pressa, sobretudo, para restabelecer a moralidade nas instituições e na conduta dos homens públicos."

    Não há alguns mais iguais que outros, por Lurdinha Henriques

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