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PSDB Carioca: superar a apatia e partir para a discussão - II

  • Qui, 24 de Agosto de 2017 10:14
  • No que esses caras acreditam?, por Luciano Lúcio.

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    Um desabafo diante das contradições políticas a que estão submetidas as pessoas de bem.

    Temor a Deus, parece que não existe no vocabulário deles. Conhecimento ideológico, praticamente zero. Como mudar sem, ao menos, se importar em aprender?

    Eu sou Social Democrata. Como Professor de História, escolhi o meu caminho. Aprendi que, no século 19, a social democracia nascia na Europa. Ela era o contra ponto aos partidos e movimentos marxistas revolucionários e ao liberalismo clássico. Nela não havia e não há crença em revoluções violentas, muito menos em ditaduras do proletariado. Ela apostou na possibilidade de reformar o Capitalismo, transformando-o em algo compatível com a democracia.

    Ela lutou pelo direito de voto e sempre defendeu que o Estado deveria assegurar o que o mercado não podia e não pode fazer: dar, por si só, condições dignas para a maioria das pessoas.

    Ela estendeu o conceito e práticas dos direitos sociais como poucas vezes, de fato, se viu. Por todo o século 20, a Social Democracia foi a maior força de avanço da Humanidade, tornando realidade, como nunca antes havia ocorrido, o que previa a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

    Aqui no Brasil, poucas vezes a questão social foi, de fato, levada a sério. Entre o liberalismo das oligarquias, o poder das elites, pensamentos autoritários e centralizadores, se via um populismo doentio e insano. A Esquerda Brasileira deu "preferência" à cartilha de Marx e Lênin, numa admiração cega (para mim sem sentido) pela extinta União Soviética.

    A Ditadura, o tão assustador Regime Militar ajudaram o Brasil a enxergar como a liberdade, como a democracia são fundamentais para o bom viver do homem. As pessoas passaram a perceber que a sociedade deveria ditar suas próprias regras, expandir direitos sociais e cuidar de suas próprias escolhas.

    O PSDB surgiu por força de muitas lideranças que lutaram contra essa Ditadura. Falava-se em uma sociedade mais justa. Falava-se e acreditava-se que era possível. FHC foi o grande articulador do avanço das áreas sociais ao levar a sério nossa economia. Combateu a inflação, um câncer que destrói qualquer nação, com seriedade. Tivemos Plano Real (governo Itamar Franco), LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) e importantes privatizações que foram, numa grande peça de publicidade, batizadas pelos adversários como "Herança Maldita". Eles conseguiram potencializar falhas, erros e menosprezar as duras conquistas. Está tudo aí na mesa; quebraram o Brasil e potencializaram, como ninguém, a corrupção que - infelizmente - sempre existiu em nossas "regiões tupiniquins".

    Eu entrei no PSDB por "acidente de percurso". Mas lá (ou aqui), passei a testemunhar o que nunca antes tinha visto nos grupos de radicais de esquerda dos quais fiz parte: meus olhos brilhavam com o espírito republicano do partido. Cortavam na carne. Tratavam de mudanças climáticas, falavam de reformas, desigualdade, mercados financeiros, pobreza, com um conhecimento de causa e correção que eu nunca imaginei que viria; participei de encontros fabulosos com gente nobre, intelectuais equilibrados, decentes.

    Hoje o que vejo: uma turma de gente doente pelo Poder. Gente mesquinha, gananciosa, o mesmo joio que eu abandonei faz tempo.

    O que fazer? Não sei. Não tenho grana. Não tenho patrimônio. Meu poder é limitado no alcance do meu mandato. Não sou bancado por corporações. Não tenho "amparo" midiático.

    Como lutar? Como remar "contra a maré"? Cheguei a uma conclusão. Fazendo o meu melhor. Falando a verdade. Tentando errar o menos possível dentro deste Sistema Doente e feito, sob medida, para a prática diária da corrupção.

    Não é fácil ser uma liderança consciente em uma cidade de capital político pequeno e de uma população sofrida que precisa, como tantas outras, da decência perdida pelo caminho. Não é fácil e nem indolor.

    Que Deus me dê forças pra resistir até onde eu puder. E que, no final, seja feita a Sua Vontade.

     

    Luciano Lucio Natalino é vereador tucano de Tanguá

    PSDB Carioca: superar a apatia e partir para a discussão - II

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