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Um tiro no escuro, por Teresa Bergher

  • Qui, 01 de Março de 2018 15:58
  • Militares foram apanhados de surpresa pelo decreto presidencial.

    Há uma semana o governo federal interveio na segurança do Rio de Janeiro e os resultados são pouco animadores. Está claro que, apesar das sucessivas vezes em que atuaram na cidade nos últimos anos, os militares foram apanhados de surpresa pelo decreto presidencial e não tinham sequer esboço de um plano de ação para enfrentar o avanço da criminalidade. Que é assustador, segundo o Forum Brasileiro de Segurança Pública: de 2015 para 2016, o Rio foi a cidade com maior crescimento do número de roubos e ficou em terceiro lugar no aumento da quantidade de homicídios.

    Não há dúvida de que a população apoia a iniciativa, mas a forma improvisada com que foi decidida levanta suspeitas de que terá resultados mais cosméticos do que profundos. O fato é que se os interventores não atacarem o problema na origem - que, sabidamente, está na desestruturação da polícia e na profunda e entranhada corrupção do aparelho policial - nada terá efeito duradouro e se esgotará quando cessar a intervenção, daqui a dez meses.

    Integrante de uma comissão criada na Câmara Municipal para acompanhar a intervenção, participei, domingo, de reunião, em Brasília, com prefeitos, deputados federais e outras autoridades. Ouvi muita conversa, muito discurso animado, mas não vi o menor sinal de análise aprofundada do assunto, nem foram postas em discussão questões de fundo. A razão? Falta de informação adequada, o mesmo que, ao que tudo indica, acontece com os generais que receberam a incumbência de por ordem na casa dos cariocas. Tomara que consigam, mas o panorama não anima.

    Um tiro no escuro, por Teresa Bergher

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