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Crise é solução?, por Lurdinha Henriques

  • Seg, 28 de Maio de 2018 16:11
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    Tantos problemas, tantas oportunidades e tanta inação.

    Dizem que das crises nascem soluções importantes. Pelo menos, esta é a esperança que nos resta. Há algumas coisas que acontecem e que deveriam, no mínimo, servir de alerta. Este momento que vivemos – e põe crise aí – levanta um tema que, em vários momentos, volta à pauta, mas dela é deslocada: qual o melhor meio de transporte de massa e para a circulação de mercadorias? Parece ser consenso, em seguidas análises e através dos tempos, que o Brasil, por suas características, tem na ferrovia e na hidrovia as melhores opções. Juscelino fez a revolução ao contrário, investindo nas rodovias, e, a partir daí, continuaram a ser a prioridade para diferentes governos. Apesar disso, chega a quase consenso, em várias instâncias e segmentos, que ferrovias e hidrovias seriam mais sustentáveis em todos os aspectos. Fica a pergunta: quais os interesses pouco republicanos que essa opção oculta? Não dá para pensar que não é isso. Porque é, simplesmente, direção oposta ao que o simples bom senso e as análises técnicas apontam.

    Daí que a crise pode virar solução. Tirando a catástrofe do momento que vivemos, com ausência de governo e excesso de oportunismo de todos os lados, que tal olhar para a frente, procurar sair dessa encruzilhada que não leva a lugar algum? A catástrofe de alguma maneira se resolverá. Entre os mortos e feridos ficam o bom senso, a negociação correta e a grande maioria da população, principalmente os mais pobres, que pagam a conta diariamente sem ter de onde tirar. O governo já estava morto mesmo. Para além disso, será preciso recomeçar a discutir o que importa: esse modelo rodoviário tem dado resposta adequada? Claro que não. Hora de mudar o modelo e retomar a malha ferroviária, discutir a integração dos modais, criar uma malha hidroviária.

    Muitos outros temas exigem a mesma reflexão, por terem o mesmo componente da obviedade da solução, quando os rumos ficam, de forma surpreendente, na direção oposta: ocupação dos centros da cidade, questões metropolitanas, por exemplo. Mas esta é outra discussão.

    Vamos sair da parede e transformar em oportunidade o momento de conflito e tristeza que vivemos?

    Crise é solução?, por Lurdinha Henriques

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