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Prefeito Crivella, 9,72% de aumento nas passagens de ônibus?

  • Ter, 19 de Junho de 2018 09:55
  • Quem paga a conta é o usuário

    A deflagração recentemente, no Rio de Janeiro, de greve por 24 h, promovida pelo Sindicato Municipal dos Rodoviários, do Município da Capital, trouxe grande transtorno à capital. Passadas 24 horas, o sindicato, depois de sucessivas reuniões com o sindicato patronal e o governo municipal, suspendeu a greve. Ficaram os rodoviários, em tese, em estado de greve para ver se suas reivindicações seriam acolhidas. Em seguida, o prefeito veio a público para revelar que a passagem subiria de R$ 3,60 para R$ 3,95, num espetacular aumento de 9,72%, que representa uma vez e meia a inflação de 2017.

    A ANS tentou patrocinar um aumento de 10 % para os planos de saúde e a Justiça Federal, em primeira instancia, coibiu tal reajuste, fixando-o, no máximo, em 5,72%. O prefeito, numa generosidade extrema, após greve incitada pelos patrões, resolveu decidir por este aumento.

    Como já é conhecido de grande parte dos cariocas, o prefeito veio a público falar a seguinte pérola: que o tal aumento abusivo, de 9,72% na tarifa de ônibus, não iria impactar o usuário, porque existe o vale-transporte. Quem paga o vale-transporte são os pequenos empresários, o cidadão comum ao contratar alguém, o cidadão que exercita a profissão de autônomo, que não tem vale-transporte. Então, faz-se greve que, no mínimo, deve ser investigada pelo Ministério Público, porque pode ter havido combinação entre sindicato, patrão e prefeitura, num acordo espúrio, e a conta cai em cima da população fluminense. Infelizmente, é esse o prefeito que temos em nossa cidade.

    Uma vez ouvi aqui, um parlamentar dizer que "tinha um jabuti na árvore". Como jabuti não sobe árvore, alguém o colocou lá. Neste acordo, temos um grande jabuti. Para provar isso, força tarefa do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro conseguiu medida liminar no Tribunal de Justiça, suspendendo o acordo entre a prefeitura do Rio e as empresas de ônibus, sustando o aumento previsto para domingo, dia 17 de junho.

    Mesmo sem acesso às motivações da representação e à decisão liminar, é necessário que, neste momento que todos exigimos transparência, que venha à tona a verdadeira questão por atrás do aumento, porque, se é demanda entre patrão e empregado, eles que resolvam na mesa da Justiça do Trabalho, com audiência de conciliação. Não cabe à prefeitura decidir que o acordo se fará, mas quem pagará a conta será o usuário. Isso é espoliar a população carioca.

    É preciso continuar perseguindo a hipótese de que esse acordo tenha uma investigação, que descubra os reais interesses que se escondem atrás do mesmo.

    Prefeito Crivella, 9,72% de aumento nas passagens de ônibus?

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