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A política precede a economia, por Luiz Paulo

  • Qui, 12 de Abril de 2018 09:10
  • Escrito por Administrator
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    Reflexão madura pode nos abrir a porta do futuro.

    Redes sociais radicalizam as discussões em temas como privatizações, REPETRO, reformas tributária e previdenciária, intervenção na segurança do Rio. Trincheiras são erguidas, mas a economia não avança. Superar crises como essa não é fácil. É profunda, na economia; radical, pela exposição das entranhas do poder. Perigosas entranhas, com consequências como descrença, desespero e desesperança.

    Lembrem da célebre frase: "É a economia, estúpido!". Eleição de 1992, Bush x Clinton, Bush na dianteira, o marqueteiro de Clinton, James Carville, levando em conta a recessão, cunhou a frase-símbolo do que define as decisões das pessoas – o bolso. O bolso é vital para olharmos à frente, ver caminhos que nos trarão vida melhor, direitos básicos respeitados. O Plano Real cumpriria o mesmo caminho em 1994: após hiperinflação, temos estabilidade da moeda, sem corridas a supermercado para fazer estoque, com poder de planejar o futuro, Lei de Responsabilidade Fiscal, com transparência e controle, privatizações bem sucedidas, como a da telefonia, que fez completa diferença na vida dos brasileiros. O resultado da economia teve peso forte em duas vitórias eleitorais. A fila andou e a Carta aos Cidadãos mudou o curso da História, em 2002.

    A Carta despertou a confiança de determinados setores na futura condução da economia, embora fatos posteriores tenham provado o contrário. Nesse momento, desandou a confiança e a economia. Ao olharmos o Brasil e o Rio de Janeiro hoje e observarmos seus condutores, veremos a confiança passar longe. Imagine-se acreditar em afirmativas do Ministro da Fazenda, se ele não sabe se sai ou fica? Um errante. O mesmo acontece com o Presidente da República. Que confiança inspiram?

    E o Rio de Janeiro? Em 12 anos de poder, o mesmo partido que dá cartas nacionalmente levou à bancarrota nosso Estado. Como confiar num governo de continuidade da corrupção tão bem ilustrada em situações que envergonham os fluminenses? Como achar que há competência e seriedade, se só vemos vacilação e incapacidade?

    Apresenta-se, aqui, novo conceito: "Não é só a economia, estúpido!". É preciso credibilidade dos políticos na condução dos processos, na responsabilidade com a nação e o Estado. Sem isso, não há confiabilidade, nem se superam dificuldades como as atuais. Estamos nesse ponto. O problema, portanto, é a política: ela precede e comanda a economia!

    Como confiar em caminhos escolhidos pelos capturados por interesses privados e pela corrupção? A associação entre elite empresarial corrupta e elite política corrupta nos trouxe até aqui. A saída desse lamaçal exige firmeza e transparência. É disso que precisamos. A economia agradecerá. E todos nós também.
    O resgate da confiança da população em seus governantes é impossível neste momento, pelo passado e pelo presente dos que comandam. Infelizmente, entra outro fato: em pleno processo de descobertas pela Lava Jato, abre-se leilão partidário de oferta de dinheiro a candidatos, que correm para garantir seus milhões para a campanha. Na população, fica a desconfiança.

    A política precisa corrigir rumo, para introduzir confiança, recuperar capacidade de mediar conflitos. Políticos e partidos devem comprometer-se com a população para superarmos o caos, ou lamentaremos à frente. Não são gritos e sussurros ampliados pelas redes sociais que nos tirarão das trevas. A discussão séria, respeito à divergência, reflexão madura pode nos abrir a porta do futuro. E decidir quando chegar o momento.

    A política precede a economia, por Luiz Paulo