Em defesa da paz, por Teresa Bergher

  • Sex, 01 de Dezembro de 2017 00:40
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    Em luta pelo memorial em homenagem às vítimas do Holocausto.

    Há exatamente 70 anos a Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) decidia por votação da maioria dos seus membros a partilha formal da região conhecida como Palestina entre os povos que ali viviam desde tempos imemoriais: judeus e muçulmanos.

    O Brasil orgulha-se de ter participado ativamente deste momento histórico, uma vez que foi um brasileiro, o Chanceler Oswaldo Aranha, presidente da Assembleia Geral. Este fator, naturalmente, aproximou brasileiros do povo judeu, que há milênios vivia em busca de um lar nacional. Meses depois, em maio de 1948, David Ben-Gurion proclamava a criação do Estado de Israel.

    Embora os países árabes tivessem votado contra a partilha, foi inequívoca a vontade da grande maioria das nações de proporcionar aos judeus um mínimo de reparação, pelas perseguições que sofriam há séculos, e que chegaram ao ponto mais alto com o Holocausto: a mais vergonhosa tragédia infringida a um povo em toda a história da humanidade. Uma tragédia que nunca será reparada, mas que precisa continuar ecoando na memória da humanidade, para que aqueles fatos terríveis jamais se repitam. Não há reparação possível para mais de 6 milhões de vidas arrancadas pela bestialidade de regime enlouquecido pelo ódio. O tempo não apagará a dor, mas precisamos lembrar para que jamais se repita.

    Daí a minha luta, dando continuidade à luta que era do meu marido, vereador Gerson Bergher, que sempre quis criar no Rio de Janeiro memorial em homenagem às vítimas do Holocausto. É evidente que esse memorial, essa homenagem, é para todas as vítimas, não apenas para os 6 milhões de judeus: milhares de ciganos, homossexuais, deficientes físicos, comunistas, negros. Na verdade, entendo que esse memorial é um equipamento da maior importância para a cidade Rio de Janeiro, porque todas as grandes cidades do mundo possuem um memorial.

    Após 70 anos, a discórdia continua reinando naquela região. Os judeus, mesmo não concordando absolutamente com os termos da partilha do dia 29 de novembro de 1947, decidiram aceitá-la como um mal menor. Os árabes sequer assinaram e se mantêm irredutíveis em suas posições. Os conflitos têm sido constantes e já desembocaram em guerras abertas em 1948, quando os países árabes se uniram e resolveram jogar os judeus para o mar; depois em 1956, 1967, 1973.

    Os protagonistas desse último confronto, Menachem Begin por Israel e Anwar Al Sadat pelo Egito, pouco depois articularam um histórico entendimento que resultou no primeiro reconhecimento da existência do Estado Judeu por país árabe. Tempos depois, os líderes Yitzhak Rabin e Yasser Arafat receberiam o prêmio Nobel da Paz em razão dos seus esforços para a concórdia. Iniciativas meritórias, mas que, infelizmente, pouco ou nada evoluíram em direção ao entendimento.

    É o sonho que cultivamos agora e que permaneceremos cultivando, rezando, torcendo para que possa ser realizado, que haja paz naquela região, que haja paz em nosso país e que haja paz para toda a humanidade.

    Em defesa da paz, por Teresa Bergher