Luiz Paulo: "No dia do engenheiro, é bom lembrar os riscos que corremos."

  • Qui, 13 de Dezembro de 2018 00:18
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    E homenagear engenheiros e arquitetos

    Deputado Luiz Paulo, em pronunciamento no dia 11 de dezembro, quando da celebração do Dia do Engenheiro e do início das comemorações da Semana do Engenheiro e do Arquiteto, lembrou que a infraestrutura do Brasil deve-se muito a esses profissionais. Destacou o engenheiro, como construtor, projetista de infraestrutura, e o arquiteto, como o grande maestro das formas, da concepção.

    Cita alguns dos grandes nomes das duas áreas, no Brasil, como, na arquitetura, Oscar Niemeyer, um dos que mais se destacaram, pela sua plástica em relação aos seus projetos, da melhor qualidade. Lembra que os Cieps, a Passarela do Samba, entre tantos outros, são de autoria de Oscar Niemeyer. Mas acrescenta que a reforma do Palácio Tiradentes também foi de outro grande arquiteto: Archimedes Memória.

    Recupera também grandes nomes na área da engenharia, como o saudoso Joaquim Cardoso, que calculou, ainda sem a existência do computador, mas pela teoria das cascas, a abóboda de fechamento do Maracanãzinho.

    Mas acrescenta que também há aqueles engenheiros e arquitetos anônimos que, no cotidiano do seu trabalho, prestam grandes serviços à engenharia e à arquitetura nacionais.

    Lamenta que, hoje, a engenharia e a arquitetura públicas estejam desprezadas, fruto de famigerado processo de terceirização em que as obras são mal projetadas, mal orçadas, mal fiscalizadas, mal controladas tecnologicamente. Em consequência, surgiu esse imenso mar de escândalos de corrupção que culminou com a Operação Lava Jato, fruto do conluio espúrio de alguns maus políticos e funcionários, com alguns maus empresários da área da construção.

    E considera, portanto, necessário que se retome a luta a favor da engenharia nacional, do concurso público, do projeto de qualidade, dos controles, de custos reais contra os superfaturamentos e toda a sorte de operações existentes para dirigir procedimentos licitatórios.

    Sente-se orgulhoso de ter-se formado a primeira vez em Engenharia, em 1968. Portanto, há 50 anos. Viveu muitas e boas experiências na Engenharia. Lembra, inicialmente, do prazer de ter trabalhado nas obras dos Cieps, populares Brizolões; na Passarela do Samba; na construção do Metrô de Botafogo até a Praça Cardeal Arcoverde, de Triagem até a Pavuna.

    Também teve o prazer, como secretário de obras do município do Rio – entre 89 e 92 –, de trabalhar na duplicação da Estrada do Rio do Pau; Viaduto da Pavuna; duplicação da Estrada do Mendanha; alargamento da Estrada do Mato Alto; duplicação da Estrada do Morro do Ar, da Estrada da Pedra. Um grande elenco de obras. Aí inclui-se, também, a construção da importante Via Light para Nova Iguaçu, ligando o Terminal Rodoviário Nova Iguaçu até a Pavuna e até o Metrô. Infelizmente, essas obras estão cada vez mais escassas. Nem a Operação Tapa-buraco existe mais. Em andanças no interior do Estado, é triste observar que a velocidade média de percurso não passa de 10 a 15 km/h, por conta de tantos buracos por m².

    Reforça o registro de louvor a todos os antepassados que construíram a engenharia nacional. E faz um alerta: "Se verificarmos nossas pontes, viadutos, as instalações de grandes fábricas, concluímos que todas eles estão com mais de 50 anos, e o que não acontece mais é o estudo dessas obras para que elas possam ser remodeladas para o nosso tempo, até mesmo o Elevado do Joá."

    Recentemente, registra, que vimos grande elevado em São Paulo recalcar quase um metro e quase desabar, porque as obras não têm mais nenhuma manutenção; não há recursos para adaptá-las às novas realidades, aos novos trens, às novas normas, às verificações à corrosão e tantos outros motivos.

    Considera ser este um alerta, porque pode-se passar a ter acidentes sucessivos. Tudo na vida tem vida útil - o concreto está sujeito à fadiga -, mas essa vida útil pode ser prorrogada por muitos e muitos anos, se houver manutenção sistemática e, muitas vezes, os reforços necessários.

    Deixa este alerta: "Tenho esse temor para os próximos anos, visto que os governos, sem exceção, estão a abandonar a engenharia pública, e ela precisa ser revitalizada."

    Luiz Paulo: