Sonhos que morreram cedo, por Teresa Bergher

  • Ter, 12 de Fevereiro de 2019 16:53
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    Na consciência dos responsáveis o remorso de sua tão prematura partida.

    Quando um jovem morre, a primeira coisa que me vem à cabeça é a destruição de sonhos, a impossibilidade prematura de realizar projetos sequer amadurecidos, mas presentes em todos os momentos da existência. No caso dos meninos vitimados na espantosa tragédia do Centro de Treinamento do Flamengo, muitos sonhos morreram com eles, e, no caso daqueles de origem mais humilde, principalmente o desejo de ascensão social, de proporcionar à família uma vida melhor.

    Senti um aperto no coração ao ver aqueles rostos adolescentes, sorrisos abertos, com a confiança de que, um dia, poderiam ter seus nomes gritados nos estádios de todo o mundo e, eventualmente, ganhar muito dinheiro. Claro que fama e fortuna só chegariam para muito poucos daqueles meninos sorridentes, mas o que seria a vida de cada um se não tivesse um motivo para sonhar? Foi certamente pensando nisso que um sentimento de dor se espalhou pelo Brasil e pelo mundo quando se soube da tragédia. E as mensagens de solidariedade não pararam de chegar, inclusive daqueles que possivelmente eram seus ídolos, como o grande Cristiano Ronaldo, o argentino Lionel Messi e o nosso Neymar.

    Mas, passado o choro, é preciso que se investigue, rigorosamente, o que causou essa pavorosa tragédia. Sabe-se que a Prefeitura aplicou dezenas de multas ao Flamengo, porque as instalações estavam em desacordo com o previsto na Lei. Ora, após a primeira, segunda e terceira multas, por que não interditaram as instalações - que apareciam como "área de estacionamento" - nos registros municipais? E o Corpo de Bombeiros, tão zeloso para exigir certificações de prédios residenciais, por que não fez o mesmo com o Flamengo? A imprensa diz, inclusive, que as instalações feitas por containers, onde os meninos encontraram morte horrível, sequer haviam sido vistoriadas. A Diretoria do clube, a meu ver, é a grande culpada, e deve explicações melhores que as esfarrapadas justificativas dadas diante de jornalistas. De minha parte, estejam certos: não deixarei de cobrar esclarecimentos, exigir punição para os culpados, e o devido ressarcimento às famílias das vítimas, consciente de que a vida não tem preço!

    Que o apagar do sorriso e sonhos dos meninos do Ninho do Urubu possa refletir na consciência dos responsáveis o remorso de sua tão prematura partida.

    Sonhos que morreram cedo, por Teresa Bergher