A crise do PSDB, por Luiz Paulo

  • Qui, 28 de Fevereiro de 2019 20:35
  • luiz-paulo-15112016

    Partido perde contato com sua percepção ideológica

    Matéria no Valor Econômico, nesta semana que termina, com o título - "Dória prepara reforma no PSDB com isolamento de medalhões e estatuto" - é tema de minha discussão hoje. Sua leitura me trouxe a péssima sensação de estar havendo um sequestro partidário. O governador de São Paulo, o Sr. Dória, afirma que pretende controlar o PSDB, isto é, indicar o futuro presidente, porém tem especial desapreço pela definição social democrata da sigla.

    Temos aqui profunda contradição: se tem tal desgosto, por que filiou-se ao PSDB há muitos anos atrás? Não tinha nenhuma inserção político-eleitoral naquele momento. Então, pressupõe-se que foi atraído pelo conteúdo expresso no Estatuto partidário e em suas principais lideranças. Se tinha tal desapreço, por que foi prefeito de São Paulo, eleito pelo então governador Geraldo Alckmin, na legenda social democrata? Por que se candidatou a governador do Estado de São Paulo por essa legenda pela qual, segunda a matéria, ele tem desapreço?

    Continuando nosso raciocínio sobre tal matéria, na sequência comenta-se que o governador Dória quer trazer para o PSDB os votos que elegeram Bolsonaro. Vale esclarecer que foram os mesmos que, por dois mandatos, elegeram o social democrata Fernando Henrique Cardoso; os mesmos votos que elegeram Lula e Dilma e os mesmos votos que levaram ao segundo turno, quando foram derrotados, duas vezes Serra, uma vez o Alckmin e Aécio Neves. O eleitor é o mesmo! Escolhe seu presidente em função da conjuntura política e comportamental que domina a conjuntura em cada momento.

    Ao citar, na matéria, o ex-senador Paulo Bauer, PSDB de Santa Catarina, que foi escolhido pelo governo Bolsonaro para fazer sua articulação com o Senado, destaca: "É algo mais confortável a vários de nós. Eu mesmo nunca fui social democrata. Sou centro-direita.", atesta o ex-senador catarinense, em consonância com Dória, com a mesma posição.

    Temos aqui demonstrado o caos político que vive o PSDB, em nível nacional, mas também no nível local, por questões comportamentais e ideológicas. Se querem que o partido seja de centro-direita, saiam do partido e ingressem no PSL, no Novo, no DEM, no PSC, ou até no ressurgimento da velha e carcomida UDN, que está renascendo e, possivelmente, será homologada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Na verdade, negam a origem do partido.

    Paulo Bauer está no governo Bolsonaro, o PSDB participou do governo Temer, o PSDB aqui no Rio participou do governo Crivella, o PSDB, não formalmente, mas indiretamente, está no Governo do Sr. Wilson. Então, o PSDB, partido a que pertenço, se desincorporou dos seus ideais e, como dizia um velho político do nosso Estado, tomou do PT um rótulo que ele sempre teve: "partido da boquinha"- hay gobierno, sou a favor. É uma lástima que precise vir a plenário falar crítica e duramente sobre o partido em que estou desde 1993, mas ele perdeu o contato com a história, com a ética, com sua percepção ideológica e descamba fortemente para ser um partido governista de centro-direita. Lastimo que isso tenha ocorrido e, enquanto estiver nesse partido, resistirei.

    A crise do PSDB, por Luiz Paulo