"Bolsonaro ainda não assumiu o papel de presidente", diz Tasso

  • Seg, 18 de Março de 2019 22:23
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    "Se os tucanos migrarem para a direita, garante, será oposição interna."

    Trechos abaixo explicitam a posição do senador Tasso Jereissati, não só sobre o governo federal, mas também sobre o posicionamento do PSDB, seja na questão do governo, seja na questão partidária. O texto foi publicado no Jornal Valor Econômico de 16, 17 e 18 de março de 2019.

    Sobre o presidente da república: "Parece que Bolsonaro ainda não assumiu o papel de presidente da República do Brasil", aponta. "Ele está fomentando a discórdia. É a antítese do que um presidente quer para o seu governo. Ele não pode sair por aí dizendo qualquer coisa polêmica, às vezes fora da realidade, que pode até ser a opinião pessoal dele, mas não é a do país", alerta.

    Sobre o governo federal: "Bastante crítico à atuação dos ministros da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez, e - principalmente - das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, Tasso diz que há gente demais falando pelo governo, em direções diversas. "São vários grupos que não se dão entre si e têm opiniões que contrastam, em vários assuntos. O [ministro da Economia] Paulo Guedes traz uma agenda liberal, de forte abertura do Brasil ao comércio exterior. Uma política evidentemente globalista. E vem um outro, que é ministro das Relações Exteriores [Ernesto Araújo], fazendo discurso antiglobalista e influenciado por um filósofo, Olavo de Carvalho, com ideias absolutamente fora do padrão".

    Sobre o PSDB: "Figura de proa do PSDB nas últimas três décadas, Tasso, de 70 anos, admite a proximidade à agenda econômica do governo, mas rechaça a hipótese de a sigla aderir formalmente à base aliada a Bolsonaro. Pelo contrário: diz que, se quiser ser uma alternativa para o futuro - e para as eleições presidenciais de 2022 - os tucanos devem caminhar mais na trilha da oposição. Da mesma forma, descarta que o PSDB vá se tornar um partido de direita, que dispute espaço com o PSL - como tem aventado aliados do governador de São Paulo, João Doria. "Esse espaço da direita está ocupado pelo PSL e pelo Bolsonaro. Não é nem nunca foi nosso. O nosso, mais do que nunca, é o da social democracia", diz. A questão dos costumes, na qual a agenda do PSL e do presidente é notadamente conservadora, é uma diferença clara, aponta. "Nosso espaço é este, uma visão liberal na economia, bastante liberal nos costumes e que vê o Estado como elemento regulador e atuante na questão dos desequilíbrios sociais".

    Comenta: "Se os tucanos migrarem para a direita, garante, será oposição interna."

    Eis aqui a íntegra da entrevista publicada: https://www.valor.com.br/politica/6164825/bolsonaro-ainda-nao-assumiu-o-papel-de-presidente-diz-tasso